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domingo, 10 de dezembro de 2017

WONDER – ENCANTADOR (Wonder) de Stephen Chbosky

A História: O pequeno Auggie nasceu com uma deformidade física facial que o faz parecer um monstro. Agora, com idade para ir para o quinto ano escolar, ele é forçado pela primeira vez a ir para uma escola e enfrentar as reações dos outros.

O Filme: Diabéticos, abstenham-se de ver este deliciosamente doce drama, pois poderão ter uma overdose de açúcar! Agora a falar a sério, este é capaz de ser o filme mais doce do ano, mas é também um dos mais comoventes e um daqueles que nos aquece o coração.
O realizador/argumentista Stephen Chbosky dirige com mão segura, pontuando a acção com humor e evitando a lamechice forçada. Agradou-me a forma como nos são dadas perspectivas diferentes da história. É verdade que, apesar das suas dificuldades, Auggie nunca enfrenta grandes problemas e falta um lado um pouco mais negro, talvez mais realista, à sua vida. Mas mesmo assim, deixei-me conquistar pelo pequeno e emocionei-me sem vergonha a ver o filme.
Um elenco em estado de graça onde, apesar da presença sempre simpática e bem-vinda de Julia Roberts, brilham as crianças. No papel de Auggie, Jacob Tremblay (o puto do ROOM) é extraordinário. Noah Jupe convence como o simpático Jack, o amigo que todos gostaríamos de ter tido na escola, e Bryce Gheisar é o odioso Julian, o puto que dificulta a vida a Auggie.
Numa altura que tudo parece tão negro no mundo em que vivemos, sabe bem ver um filme tão positivo e que acredita no lado bom que existe dentro de nós, humanos. É uma verdadeira lufada de ar fresco e um dos meus favoritos deste ano! Não percam e não se esqueçam de levar os “kleenex”.

Classificação: 8 (de 1 a 10)







A CASA TORTA (Crooked House) de Gilles Paquet-Brenner

A História: Após a morte suspeita de um multimilionário, o jovem detective Charles Hayward é contratado pela neta do falecido, com quem teve um caso no passado, para investigar o assunto. Uma vez na mansão da família, ele depara-se com vários personagens, todos eles com boas razões para assassinarem o velho senhor.

O Filme: Parece que Agatha Christie está de novo na moda e ainda bem, pois adoro “whodunits”. Também sempre tive um fraquinho por mansões e a deste filme é enorme, mas não é assombrada. É habitada por um excêntrico grupo de personagens, de língua afiada e com um espírito muito retorcido. Do mais pequeno ao mais velho, nenhum se aproveita. Todos viviam subjugados à vontade do velho multimilionário, mas mesmo assim conseguiram dar personalidade à parte da mansão onde vivem, que é um dos aspectos mais interessantes do filme.
Infelizmente, o detective Charles Hayward é um personagem desinteressante (apesar de Max Irons lhe dar credibilidade e simpatia), o que desequilibra o filme. Não sei como é o personagem na novela de Agatha Christie, mas acredito que ela se tenha divertido muito mais a criar os familiares/suspeitos que vivem nesta casa “torta”. A melhor cena do filme é um hilariante jantar de família, que adorava que tivesse durado mais tempo e onde todo o elenco está no seu melhor.
Entre os familiares estão a sempre “maior que a vida” Glenn Close (se for ela a assassina é demasiado óbvio, não concordam?), uma sensual Christina Hendricks, uma divinal e surpreendente Gillian Anderson, uma perfeita “femme fatale” na pessoa de Stefania Martini, uma super-esperta Honor Kneafsey, um arrogante Julian Sands, um mimado Christian McKay, uma forte Amanda Abbington e um rebelde Preston Nyman.
O trabalho de fotografia fez-me lembrar o “film noir” e, apesar de ter desconfiado da identidade do assassino ou assassina a meio do filme, nunca perdi o interesse. É uma pena que o detective não seja mais cativante e que por vezes a acção se arraste um pouco, mas é um thriller requintado, com humor, mistério e apreciei o final... é retorcido como eu gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A MONTANHA ENTRE NÓS (The Mountain Between Us) de Haby Abu-Assad

A História: Dois estranhos, Ben, um cirurgião, e Alex, uma repórter prestes a casar, alugam em conjunto uma pequena avioneta para os levar ao seus urgentes destinos, pois o voo que tinham reservado foi cancelado. Uma vez no ar, ao sobrevoarem umas montanhas geladas, têm um acidente e vão ter que lutar pela sobrevivência na paisagem gelada.

O Filme: Idris Elba é um belo pedaço de homem, mas incapaz de revelar grandes emoções. Kate Winslet é uma belíssima actriz, cheia de vida e emoção. Infelizmente, os dois não partilham a química necessária para que este filme funcione. Sim, as paisagens geladas são fabulosas, mas a história arrasta-se por duas longas horas, pontuadas de vez em quando pelo bem-vindo humor da personagem de Winslet. Para além disso, é tudo demasiado previsível e o final pouco convincente. Mas o desastre de avião é muito realista e a primeira meia-hora suficientemente interessante. Depois falta-lhe surpresas e o sentido de perigo verdadeiro.
Se gostam de bonitas paisagens, histórias de amor e, a principal razão para ver o filme, de Kate Winslet, então pode ser que gostem mais do que eu.

Classificação: 4 (de 1 a 10)


domingo, 26 de novembro de 2017

COCO de Adrian Molina e Lee Unkrich

A História: O pai de Coco abandonou a família para se tornar um cantor famoso, o que levou a que a sua mãe banisse a música das sua vidas e se dedicasse ao fabrico de calçado. Anos depois, Miguel, o bisneto de Coco, sonha ser músico para horror da sua família e a fim de realizar o seu sonho vai parar, sem querer, ao Mundo dos Mortos.

O Filme: Mais uma vez a Pixar dá-nos um filme que nos enche a alma e o coração! Com um colorido vibrante, ritmos latinos contagiosos e um riquíssimo imaginário, é um filme que nos conquista com a sua simplicidade e que nos leva numa viagem fascinante.
A galeria de personagens é inesquecível e o elenco que lhe dá voz muito bom. Acredito que tudo poderá soar muito mais autêntico em língua espanhola, mas também funciona muito bem em inglês. Adorei a avó (Renne Victor) de Miguel, de chinelo sempre em punho; o músico Hector (Gael Garcia Bernal) e as suas tentativas de querer visitar o Mundo dos Vivos; Ernesto de La Cruz (Benjamin Bratt) e o seu grande ego; Miguel (Anthony Gonzalez) e o seu sonho; Imelda (Allana Ubach) e o seu orgulho ferido; a doce Coco (Ana Ofeliz Murguía) e o divertido cão.
Os realizadores, povoam o fabuloso imaginário de COCO com um humor delicioso e com um perfeito sentido de acção. A história não é assim tão previsível quanto se possa pensar e diria mesmo que é mais para adultos do que para crianças, mas estas também vão adorar e a criança que existe em cada adulto vai-se deleitar. Se no final verterem uma lágrima ou duas não se espantem, aconteceu-me o mesmo.
Quanto à música, sejam as canções ou a banda sonora de Michael Giacchino, enriquecem o filme e as primeiras nunca são forçadas. Acredito que “Remember Me” poderá chegar aos Óscares.
Um dos grandes filmes do ano, que aconselho a todos sem reservas! Abram o vosso coração e vivam este COCO!

Classificação: 9 (de 1 a 10)

OLAF’S FROZEN ADVENTURE
Em complemento a COCO, temos uma excelente e muito natalícia curta metragem, que nos traz de volta o universo de FROZEN. Com canções, muito humor e magia, é perfeita para esta época do ano e mais uma excelente razão para irem ver COCO ao cinema.

Classificação: 9 (de 1 a 10)









O HOMEM DO CORAÇÃO DE FERRO (HHhH / The Man with the Iron Heart) de Cédric Jimenez

A História: Heydrich é um oficial alemão que, graças à sua esposa, entra no partido Nazi e depressa se torna numa figura importante e temida, sendo o responsável pela ideia do extermínio dos judeus nos campos de concentração. Jan e Jozef são dois jovens polacos enviados pela resistência a Praga para assassinarem Heydrich.

O Filme: Ele há pessoas que parece que já nasceram más e este tal Heydrich é um deles; alguém que mata e destrói vidas sem qualquer tipo de remorso, daí o título do filme. Ele na verdade parece ter coração de ferro e, no seu papel, Jason Clarke é frio e odioso. Nesse aspecto o realizador Cédric Jimenez aproveita bem o seu carisma, bem como o talento do resto do elenco, com destaque para Rosamund Pike, Jack O’Connell e Jack Reynor.
O que me ficou do filme é o facto de Heydrich ser um homem sem convicções politicas, mas que devido à sua natureza perversa aceita com prazer o cargo que lhe é dado. Hoje, como sempre, as cenas de extermínio levadas a cabo pelos Nazis continuam a chocar-me, pela sua gratuidade, violência, falta de sentido e pela forma imoral com que são executadas.
É uma pena que o realizador prolongue o filme por duas, por vezes penosas, horas. Perdendo tempo com apontamentos a roçar o pretensioso/artístico e alongado cenas sem necessidade de o fazer. A seu favor tem alguns bons momentos de suspense, mas para mim não foram suficientes para salvar o filme.

Classificação: 4 (de 1 a 10)


domingo, 19 de novembro de 2017

VIVE (Breathe) de Andy Serkis

A História: Quando, nos anos 50, Robin Cavendish é diagnosticado com poliomielite a sua vontade é desistir da vida. Cabe à sua esposa Diana conseguir convencê-lo a continuar a respirar (daí o título original do filme) e a manter-se vivo, custe o que custar, mesmo indo contra os conselhos dos médicos.

O Filme: Quem diria que Andy Serkis, um actor mais conhecido por dar vida a personagens CGI como Gollum do LORD OF THE RINGS ou Caesar da saga PLANET OF THE APES, se viria a revelar um realizador sensível. Acredito que, nas mãos de outra pessoa, este drama baseado numa história verídica poderia ter-se tornado numa lamechice pegada. Felizmente não é esse o caso. A história é, na realidade, dramática e há momentos a puxar a lágrima, mas o personagem de Robin nunca é tratado como um desgraçado infeliz e isso faz toda a diferença. É de louvar o optimismo e o humor com que toda a situação é encarada, tornando-a muito mais real e muito mais próxima de nós.

Claro que para que tudo isto funcione como deve ser, é preciso bons actores e nisso Serkis foi um sortudo. Apesar de ter sempre achado o actor Andrew Grafield um pouco irritante, a verdade é que é um jovem talentoso, dando-nos aqui uma interpretação que o poderá levar aos Óscares. Como a sua esposa, Claire Foy dá-nos uma personagem forte e decidida, nunca perdendo a sua feminilidade. No papel dos gémeos, Tom Hollander é divertido, pateta e emotivo.

Este é um daqueles filmes que imagino perfeitamente na corrida aos próximos Óscares. A Academia de Hollywood sempre gostou destas histórias e esta é feita com emoção e humor.

Classificação: 7 (de 1 a 10)



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

UM CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE (Murder on the Orient Express) de Kenneth Branagh

A História: A bordo do Expresso do Oriente é cometido um crime violento e cabe ao famoso Hercule Poirot descobrir a identidade do assassino entre os passageiros do comboio.

Os Actores: No papel de Poirot, Kenneth Branagh (com um bigode exagerado) lidera bem o elenco de estrelas que dá vida aos diversos suspeitos; o seu Poirot é mais homem de ação do que era nas suas anteriores encarnações.  Destaque para Michelle Pfeiffer, que com a idade se está a tornar uma sensual e refinada “cabra”. É uma pena que não tenham dado mais que fazer à grande Judi Dench, mas a jovem Daisy Ridley (da nova triologia do STAR WARS) mostra estar à altura dos veteranos com quem contracena.

O Filme: Devia ter uns 11/12 anos de idade quando vi a versão original da adaptação cinematográfica desta novela de Agatha Christie. Na altura fiquei deslumbrado com o filme, principalmente quando é revelada a identidade do assassino, algo de que nunca me esqueci até hoje. Eu sei que a memória nos prega partidas e se calhar essa versão não era assim tão extraordinária, mas deixou a sua marca em mim.
Muitos anos depois, chega esta nova, luxuosa e elegante versão e, apesar de não estar à altura da minha memória do original, é um filme que se segue com interesse. O bom elenco ajuda e parece-me que tem mais humor do que a versão anterior. Claro que o facto de saber quem é o assassino tira-lhe muito impacto, mas ao mesmo tempo isso faz-nos estar atentos às pistas que nos vão sendo dadas. Pessoalmente, adoro “whodunits” (em português deve dar qualquer coisa como “quem é o assassino?”) e já tinha saudades de ver um no cinema, só é pena já saber o resultado final.

Classificação: 6 (de 1 a 10)







segunda-feira, 30 de outubro de 2017

AMOR DE IMPROVISO (The Big Sick) de Michael Showalter

A História: Kumail é um paquistanês que emigrou com a sua família para os Estados Unidos, onde descobriu a sua vocação para “stand-up comedy”, algo que não agrada aos seus pais. Pior que isso é o facto de ele recusar as jovens paquistanesas que a sua mãe lhe apresenta como possíveis noivas e apaixona-se por Emily, uma jovem americana. Quando esta contrai uma estranha doença, Kumail é obrigado a enfrentar a sua família e a perceber o que na realidade quer da vida.

Os Actores: Este é um daqueles filmes que vive dos actores e, neste caso, ou se engraça com Kumail Nanjiani ou temos o “caldo entornado”... Eu achei-o inexpressivo e sem graça; ele até pode ser um excelente comediante de “Stand-up comedy” na vida real, mas como actor deixa muito a desejar (se bem que aqui faz dele próprio). Como Emily, Zoe Kazan tem uma presença simpática e, como o seu pai, Ray Romano é desajeitadamente engraçado. Anupam Kher, Zenobia Shroff e Adeel Akthar convencem como a família de Kumail. Mas a alma do filme é a excelente Holly Hunter que, no papel da mãe de Emily, rouba todas as cenas em que aparece e é um vulcão de vida!

O Filme: A comédia é capaz de ser o mais difícil de todos os géneros cinematográficos, pois o sentido de humor é uma coisa muito pessoal e nem toda a gente acha graça à mesma coisa. No IMDB este filme tem uma classificação de 7.7, o que é muito bom e me fez pensar “o que terá acontecido ao meu sentido de humor?”. Pois é, não gostei do filme, achei-o demasiado longo e repetitivo. Claro que tem algumas coisas engraçadas e ri-me em duas ou três ocasiões, mas não tanto como esperava. O lado dramático não me tocou emocionalmente e senti-me desligado da história, apesar de me fazer confusão as conservadoras tradições paquistanesas. Talvez o facto de não ter gostado do actor principal seja a principal razão de assim ser, mas senti que o realizador e os argumentistas “esticaram” demasiado a história. Mas, perante a classificação do IMDB, estou sozinho no meu descontentamento, por isso arrisquem e até pode ser que achem mais graça que eu... se calhar quando o vi não estava em dia para comédias...

Classificação: 3 (de 1 a 10)



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O BONECO DE NEVE (The Snowman) de Tomas Alfredson

A História: As vítimas são mulheres cujos filhos desconhecem os pais. A assinatura do assassino é um boneco de neve. Cabe ao detective Harry descobrir o responsável com a ajuda da colega Katrine, que tem uma agenda muito pessoal.

Os Actores: O talentoso e giraço Michael Fassbender merece mais e melhor; não é que ele esteja mal, mas a sua personagem (tal como todas as outras) é tratada de forma um bocado superficial. No papel de Katrine, Rebecca Ferguson também merecia melhor e o mesmo posso dizer de Charlotte Gainsbourg, que continua a parecer que está sempre com o cio. Confesso que fiquei chocado com a presença de Val Kilmer, o que é que lhe aconteceu?

O Filme: O realizador do LET THE RIGHT ONE IN está de volta aos cenários brancos de neve com este thriller baseado na novela de Jo Nesbø, o qual eu nunca li. Infelizmente, o resultado não é muito interessante e, apesar de não ser chato, há falta de suspense e a identidade do assassino é previsível. Pior que isso é o facto de partes da história não irem a lado nenhum, com assuntos que parecem ficar por resolver. Provavelmente a ideia é baralhar-nos quando à identidade do assassino, mas não conseguem. O boneco de neve é sinistro e, tal como os actores, merecia melhor. Uma coisa que me fez confusão é o facto de os personagens, apesar de serem todos noruegueses, falarem em inglês, soa a falso e tira credibilidade ao filme. Não é que seja mau e Fassbender fica bem no grande ecrã, mas é desinteressante, se bem que tem paisagens muito bonitas.

Classificação: 4 (de 1 a 10








segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O CASTELO DE VIDRO (The Glass Castle) de Destin Daniel Cretton

A História: O pai é alcoólico, a mãe uma artista excêntrica, cabe a Jeannette e aos seus três irmãos sobreviverem à pobreza em que vivem e tornarem-se independentes.

Os Actores: Este é daqueles filmes que deve ter tido uma longa fila de actores desejosos de darem vida aos personagens deste drama da vida real; no entanto é-me difícil imaginar outros actores nos papéis. Brie Larson, no papel de Jeannette, prova ser uma das mais talentosas e versáteis actrizes da sua geração. Woody Harrelson dá-nos uma das melhores interpretações da sua carreira como o pai alcoólico e Naomi Watts é excelente como a sua esposa. Uma última palavra para Ella Anderson que é uma fantástica revelação como a jovem Jeannette. Todos merecem uma nomeação para os Óscares.

O Filme: A vida real está repleta de histórias tão estranhas e fabulosas como as inventadas pelos bons argumentistas de Hollywood. O realizador e argumentista Destin Daniel Cretton, que já havia dirigido Brie Larson no interessante SHORT TERM 12, está de volta ao grande ecrã e, apesar do filme custar um pouco a arrancar e de ter uma longa duração, dá-nos um drama rico em diálogos e excelentes interpretações. Ele consegue evitar as lamechices a que uma história destas se presta, recusando romancear os acontecimentos reais e não fugindo dos momentos mais negros e sujos da vida dos personagens. Ele pontua o filme com bons apontamentos de humor, lágrimas nada forçadas e alguns toques de magia. É um daqueles filmes que poderá fazer boa figura nos Óscares.

Classificação: 7 (de 1 a 10)